Antes de ser um bom profissional, seja uma boa pessoa.





Existem muitos conteúdos, cursos e excelentes instituições de ensino que formam bons profissionais. E a busca por entregar mais valor em um trabalho é válida e muito justificada. Mas o quanto de valor você está agregando enquanto ser humano?


Na sua vida, o quanto você está entregando para aqueles que o cercam em casa, na rua, no trabalho?
O quanto a sua existência influencia na vida das pessoas? Você é uma boa influência ou só mais um exemplo de como não ser?Infelizmente, lidamos diariamente com pessoas sem nenhuma empatia. Principalmente no ambiente profissional, onde a competitividade define as relações interpessoais.


Em um emprego anterior, um coworker tentou denegrir meu trabalho e de outra líder com comentários falsos e palavras chulas. E em vários momentos teceu argumentos claramente machistas para funcionárias. Esse mesmo indivíduo tem um dos maiores salários da empresa. É, portanto, um bom profissional, mas… ser um bom profissional faz dele um bom ser humano?Qual é a marca que ele deixa nas pessoas que se relacionam com ele diariamente? Admiração? Respeito? Empatia? Tenho certeza que não.


Infelizmente isso é só um entre muitos exemplos de pessoas que tentam diminuir as outras para ganhar algum tipo de vantagem em uma competição imaginária, criadas por elas mesmas. Citei um exemplo misógino mas poderia ter citado qualquer outro tipo de preconceito inaceitável com quem quer seja. Eu não sei vocês, mas eu ainda acredito que é possível ser um excelente profissional e usar isso para ser um líder que influencia outros a serem melhores.


Ser um bom empregado, fazer seu trabalho e ir pra casa, é algo que qualquer um pode fazer. Você só precisa estudar e se dedicar. Mas influenciar positivamente a vida de alguém, e entregar valor para sua empresa ao mesmo tempo, isso é impagável. E não é pra qualquer um. É o mesmo empenho. Envolve muita dedicação e trabalho.


Impulsionar outra pessoa a ser o melhor que ela pode ser, a acompanhar nessa jornada, ver e se alegrar com a vitória dessa pessoa, sempre vai ser a maior satisfação da minha vida. Não desistir de alguém, não deixar ela desistir dela mesma, a ver se desenvolver e se tornar a melhor pessoa e profissional que ela pode ser, e crescer junto dela, pra mim sempre será o maior salário. E o melhor: você não precisa derrubar ninguém pra conseguir isso. Seu único e pior concorrente sempre será você mesmo. Seus medos, seus limites, sua cegueira.


Além disso, não existe competição para ser a “melhor pessoa”. Não existe um prêmio pra isso. Você pode ser, seu amigo pode ser, seu chefe pode ser, todos podem ser, e isso só trará benefícios.


As perguntas que podemos nos fazer são:

Eu estou sendo a melhor pessoa que eu posso ser?
Eu tenho estudado e me dedicado à profissão que escolhi da melhor forma que posso fazer?
Eu estou atento às necessidades dos outros e disposto a ajudá-los e aprender com eles?
Como eu posso melhorar a vida das pessoas hoje? Como eu posso ajudar meus clientes hoje?
Como eu posso fazer a diferença HOJE?
Não sou perfeita, e não poderia estar mais longe disso, mas compartilho algumas coisas que deram certo comigo. (ou que não deram e eu aprendi com isso também)

Se não gostou de alguma coisa que alguém fez, vá direto à ela. Não à terceiros, vá direto à ela. Isso mostra, no mínimo, que você tem coragem e caráter. Faça uma abordagem tranquila, tipo “Hey, acho que começamos com o pé esquerdo, mas o admiro por causa disso, disso, e disso, e queria entender o que aconteceu nessa situação, porque gostaria muito que a gente se desse bem.” Seu objetivo é ganhar a pessoa, ganhar o coração dela. Guerras são dispendiosas e só deixam mortos e feridos, não vale à pena. E se a pessoa não quiser cooperar, bem, você fez a sua parte. 
Agregue pessoas. Todos temos dores comuns. Se soubermos quais dores são essas e mobilizarmos pessoas à solução dessa causa, sempre faremos parte de algo maior que nós mesmos. E todos queremos fazer parte de algo. Causas contra racismo, machismo, preconceito relacionado à orientação sexual e tantas outras merecem muito mais atenções que birras infantis. 
Promova trocas. Todos têm algo a aprender e a ensinar. Nem que seja paciência. Seja humilde para estar em ambos os lados.  Escute antes, fale depois. Os maiores conflitos sempre começam na comunicação, digo isso por experiência própria. 
Saiba distinguir uma intriga pessoal e uma estrutural: Leandro Karnal fala sabiamente que quando você sabe quem é, não faz sentido se chatear por algo que alguém diz sobre você. Um exemplo maravilhoso que ele dá é que quando alguém o xinga no trânsito dizendo que “a mãe dele realiza atividade sexual remunerada” e ele sabe que isso não procede, pensa: "ele não conhece minha mãe." Ou se a mãe dele fizesse de fato isso, ele só poderia pensar: “Olha, conhece mamãe!”. Por isso, não vale à pena se estressar por intrigas pessoais. Porém, em casos de preconceito e injustiça é importante se posicionar, de forma não agressiva, pelo lado correto. Nesse caso o conselho de agregar pessoas à causas serve como uma luva. 

Por último, se avalie constantemente e peça avaliação dos outros, veja se o ambiente que você está proporcionando é o mesmo que gostaria de estar, se o que está entregando é o mesmo que gostaria de receber. Cresça com os outros. Não tem nada melhor que, depois que compartilhar desafios, compartilhar também a vitória com alguém. Seja um profissional incrível, mas seja acima de tudo, um ser humano memorável. 

Rafaele Medeiros
Marketing Manager